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quarta-feira, 20 de março de 2013

"Jogo sujo" e maçãs



        Jogo sujo (The Skingame, 1931) é outro filme “muito falado” de Alfred Hitchcock. Baseado na peça de de John Galsworthy, que concordou com a adaptação, desde que o texto não fosse alterado em nada. Justamente por isso, o filme é extremamente teatral.




        A história gira me torno de duas famílias rivais, os Hillcrists e os Hornblowers, a luta de classes e a urbanização do campo.






        Os Hillscrists estão revoltados com as ações do Sr. Hornblowers. Essas ações consistem em comparar terras e expulsar os agricultores que as arrendaram, para a construção de fábricas. Alem da injustiça, os aristocratas  Hillcrists não querem ver a propriedade rural em que nasceram sendo esmagada por construções urbanas.




        A filha dos Hillscrists é uma jovem muito esperta, inteligente que, apesar da idade, opina sobre as questões familiares com muita sensatez. A primeira vez que ela aparece em cena é comendo uma maçã. A maçã representa, para os cristãos, o fruto da árvore da sabedoria, comido sem a autorização de Deus por indução da serpente. A maçã representava, neste caso, a ânsia da sabedoria, a ambição de querer saber mais e poder igualar-se a Deus. É o símbolo das tentações e dos desejos terrenos. Na mitologia grega, as maçãs de ouro simbolizam a discórdia. 




        Depois de terem sido enganados em um leilão, os Hillcrists descobrem um segredo envolvendo o passado da  Sra. Hornblower,

         Para não ter seu passado devassado, os Hornblowers concordam em vender as terras pela metade do preço tendo como garantia a manutenção do segredo. No entanto, a notícia começa a vazar dando início a uma crise familiar e  a uma tragédia.

        Hitchcock em Jogo Sujo não pode ousar muito devido ao contrato com o autor da peça. Em sua entrevista para François Truffaut, ele afirma “não tenho muito a dizer sobre este filme”. Mesmo assim, ele deu seu toque na cena do leilão: Hitch filma do ponto de vista do leiloeiro, correndo a câmera,  sem cortes, de close em close, sucessivamente, nas pessoas que estão dando os lances.

       O filme é surpreendente, apesar de  não se tratar de um suspense, por  não ter mocinho, nem vilão, nem o bem, nem o mal. Todos são capazes de jogar sujo para alcançar seus objetivos.




Crumble de Maçã - Apple crumble*






Ingredientes


300g de farinha de trigo
175g de açúcar mascavo
200g de manteiga em temperatura ambiente
450g de maçãs, descascadas, cortadas em cubos
canela a gosto

Preparo

Misture a farinha, o açúcar mascavo e a manteiga. Reserve.
Unte um refratário, coloque as maçãs picadas, polvilhe canela e um pouco de açúcar. Cubra com a mistura de farinha. Leve ao forno pré-aquecido (180ºC) por, aproximadamente, 40 minutos ou até ficar dourado e começar a borbulhar nas bordas. Sirva com creme chantilly.

* O crumble não aparece no filme, mas é uma tradicional sobremesa inglesa feita com maçãs.





quarta-feira, 13 de março de 2013

Assassinato! E saladinha.




        Em Assassinato! (Murder!, 1930), Hitch com 30 anos, já estava com uma carreira consolidada na Inglaterra. Esse é seu 11º filme e um dos raros whodunits que filmou. Whodunits, contração da pergunta who has done it?, é um drama, uma peça ou filme policial com um enigma: “Quem matou?”. Hitchcock sempre evitou esse tipo de filme, pois, segundo ele, em geral o interesse se concentra exclusivamente na parte final.




     O filme conta a história do ator de teatro Sir John Menier. Ele é chamado para fazer parte de um júri de um caso de assassinato. A ré é a também atriz Diana, acusada de matar, com um atiçador de fogo da lareira, uma colega. Ela é condenada a forca. 




        Mas Menier não está convencido de sua culpa e vai atrás de provar a inocência da moça. Para isso ele conta com a ajuda de um casal de atores,  Sr e Sra Markham. 




       Os três percorrem os lugares em  que Diana esteve,  morou e trabalhou. Para poder reconstruir o crime em sua cabeça , John Menier resolve passar uma noite na pensão em que o crime aconteceu: um lugar simples, comandando por uma mulher cheia de filhos.




        Ele, um renomado ator de teatro, aceita essa condição de dormir na pensão em busca de pistas mas não deixa de imaginar como seria se passasse a noite em outro local mais apropriado à sua condição: o Red Lion Hotel. Nesse instante Hitchcock nos mostra o fruto da imaginação de John e como seria uma refeição desejável a ele naquele momento: frango assado, salada e vinho. 

         Por fim, sua busca não é em vão e ele descobre o verdadeiro assassino: o noivo da acusada. 

        Hitchcock, nesse seu terceiro filme falado, faz experiências com o som:  se pode “ouvir” os pensamentos de um dos personagens.  Mas, mesmo com a sonorização, ele continua visual. 






        Prova disso são os planos e contra-planos entre Diana e John na prisão, e a utilização da grua no plano geral da cela e do picadeiro do circo,  onde o crime é esclarecido.




        Outro momento brilhante  é a passagem do tempo mostrada através da sombra do cadafalso de Diana, que fica cada vez maior a medida que se aproxima a  data de sua execução. 




        Em Assassinato! Temos a presença de alguns temas hitchcockianos: a  falsa acusação, a discussão sobre crimes entorno da mesa do jantar e a utilização de um objeto de uso doméstico como arma do crime. Para  esse último tema, Hitchcock  tinha uma justificativa:  “Alguns de nossos assassinatos mais esquisitos são domésticos, executados com ternura em lugares simples e caseiros como a mesa da cozinha.”  


Salada de batata doce com queijo feta e mostarda em grãos
Sweet potato, feta and wholegrain mustard salad




Ingredientes

500g de batata doce cortada em fatias
1 maço de espinafre
1 cebola roxa cortada em fatias
200g de queijo feta esfarelado
3 colheres (sopa) de vinagre balsâmico
2 colheres (sopa) de mel
1 colher (sopa) de mostarda em grãos
azeite a gosto

Preparo

Cozinhe a batata doce em água e sal. Quando estiver cozida, porém firme, escorra e regue com um pouquinho de azeite. Aqueça bem  a grelha. Coloque as fatias de batata doce e grelhe por alguns minutos de cada lado.
Enquanto isso, faça o molho: misture o vinagre balsâmico, o mel, a mostarda e o azeite.
Monte a salada: coloque o espinafre, a cebola, a batata, espalhe o queijo feta e regue com o molho.








terça-feira, 5 de março de 2013

Juno, pavão e linguiça.



        Entramos na década de 30. O som já faz parte do cinema. Apesar de Alfred Hitchcock ter afirmado que “o diálogo deveria ser apenas um som entre outros sons, apenas algo que sai das bocas cujos olhos contam a história em termos visuais”, como vimos no post anterior, em Juno and the Paycock (sem titulo em português) ele faz o contrário, e dirige o seu filme mais “falado”. O roteiro foi adaptado de uma peça de teatro de Sean O”Casey.



        O filme conta a história dos Boyle durante a Guerra Civil  Irlandesa. Eles moram em Dublin,  em uma espécie de cortiço.  A família é composta pelo capitão Boyle, sua esposa Juno e seus dois filhos Mary e Johnny.  O capitão foi apelidado de Paycock, que dá titulo ao filme, pela própria esposa, por ser “útil e vão como um pavão”: tem aversão ao trabalho e  passa o dia em casa recebendo os amigos para beber escondido e comer.







       Num desses encontros, Paycock prepara seu café da manhã tradicional irlandês com o que encontra em casa: somente pão e lingüiça. Ele prepara a lingüiça e, em vez de dividi-la com o amigo, faz um partilha própria do seu personagem: a lingüiça para ele e a gordura que ficou na frigideira para o amigo colocar  no pão. 

         Mary, a filha do casal, tem um emprego em uma fábrica que está em greve contra a falta de segurança no trabalho que vitimou um colega. Johnny, o filho é semi-inválido pois perdeu o braço lutando na Primeira Guerra. 






        A notícia inesperada de uma herança faz a rotina da família Boyle mudar: Paycock passa a gastar por conta, compra móveis e roupas e Mary passa a namorar Charles Bentham, o advogado que está cuidando dos tramites do recebimento do dinheiro. Mas, por um erro de Bentham,  o dinheiro não chega e o que seria a salvação passa a ser a ruína. Os credores vão atrás de Paycock. Mary fica grávida do  advogado que não a quer mais.  E Johnny é levado do apartamento pelo IRA e seu corpo é encontrado fuzilado.





        Juno lastima a morte do filho e o destino da família no apartamento vazio.

       Segundo Hitch, apesar de achar a peça de O”casey excelente, não via  possibilidade de contar a história de modo cinematográfico, o que resultou num filme cheio de diálogos e um pouco difícil de assistir, que carece de grandes recursos e qualidade.

      Esse escrúpulo com a obra do escritor explica por que ele nunca quis adaptar para o cinema grandes obras literárias. Ele preferia literatura recreativa e romances populares, pois podia remanejar como bem entendesse. Ele concordava que uma obra-prima é, por definição, alguma coisa que encontrou sua forma perfeita e definida. Já em outro formato, outra linguagem, deixa de ser uma obra prima. 



The traditional irish and english breakfast *



Ingredientes

lingüiça de porco
cogumelos fatiados
ovos
tomates maduros e firmes
fatias de bacon
manteiga
sal
pimenta
torradas

Preparo

Em uma frigideira anti-aderente, frite a lingüiça e o bacon. Retire e reserve.  Na mesma frigideira, aproveitando a gordura, grelhe os tomates cortados ao meio e salteie os cogumelos. Tempere com sal e pimenta. Reserve. Coloque a manteiga, frite o ovo e tempere com sal.  Sirva com torradas e um bule de chá.

* Receita adaptada ao gosto e aos ingredientes brasileiros.













quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Crime, culpa, chantagem e confissão



        O ano é 1929 e marca o fim da fase muda da obra de  Alfred Hithcock.
       Chantagem e Confissão (Backmail) é o marco da transição entre o mudo e o falado. Não é só seu primeiro filme sonoro mas também o primeiro filme inglês a utilizar este recurso.
   O curioso é que, como havia uma hesitação por parte dos produtores quanto a sonorização do filme, Hicthicock utilizou a técnica do falado mas sem o som e, quando eles decidiram, o filme só precisou de pequenos ajustes, como, por exemplo, a dublagem da atriz principal que tinha um forte sotaque alemão.   E o filme acabou sendo lançado nas duas versões.
    Chantagem e Confissão tem o mérito, também, de ser a “volta” quase que definitiva de Hitchcock ao suspense. O filme é recheado de temas hitchcockianos: loira protagonista, chantagem, segredo obscuro, confronto, locação icônica, discussão sobre assassinatos no jantar, utilização do elemento doméstico como arma, homem ou mulher em fuga, namorado policial.


     O filme conta a história da jovem  Alice White e seu namorado Frank Webber, um detetive da Scotland Yard. Após uma briga ela resolve aceitar o convite de um pintor para conhecer seu estúdio. 



        O moço, que num primeiro momento parece simpático, tenta estuprá-la. 



       Ela, para se defender, o mata com uma faca de cozinha que estava a seu alcance  sobre uma mesa juntamente com um pão. Apesar de ela apagar todos os indícios de sua presença, esquece uma das luvas.

         A policia é chamada e Frank é encarregado de investigar o caso. Quando vai ao local do crime, acha a luva perdida da namorada.


       Frank tenta acobertá-la mas alguém que a  viu entrando do estúdio do pintor passa a chantageá-la e a persegui-los e a locação da perseguição é o British Museum.




         A culpa de Alice é tão grande que ela passa a ver  a imagem da  faca em todo lugar e ouvir a palavra da boca das outras pessoas. Quando, num café da manhã, seu pai pede a ela que passe a faca do pão, a moça fica em choque, pois foi com a faca do pão que ela cometeu um crime. É a arma e o alimento juntos e, Hitchcock como católico que era, reforça a culpa, o pecado de Alice utilizando o pão, alimento da representação do corpo divino. 



     Apesar da importante utilização do som em Chantagem e confissão, Hitchcock continuará a ser visual ao longo de toda sua obra cinematográfica.  Segundo ele  “o dialogo deveria ser apenas um som entre outros sons, apenas algo que sai das bocas cujos olhos contam a história em termos visuais.”

Pão branco - Traditional White Bread






Ingredientes

7 xícaras de farinha de trigo
1 sachê de fermento seco
4 colheres de sopa de açúcar
1/2 xícara de óleo
1 colher de sobremesa de sal
400ml de água morna

Preparo

Em uma tigela grande dissolva o fermento e o açúcar na água morna. Junte metade da farinha de trigo. Acrescente os líquidos: água e óleo e por último o sal. Misture tudo e bata muito bem a massa, acrescentando a farinha de trigo aos poucos. Sove muito bem até a massa ficar macia e desgrudar das mãos (de 8 a 10 minutos). Volte a massa para a tigela untada, cubra com filme plástico e deixe descansar por 25 minutos. Divida a massa em dois, abra com um rolo e modele os pães. Coloque em forma untada. Deixe crescer até dobrar de tamanho, (coloque as formas onde não tenha corrente de ar, e cubra) aproximadamente 40 minutos. Asse em forno pré-aquecido a 200ºC até os pães ficarem dourados.